Autor

Rogério Covaleski é Doutor em Comunicação e Semiótica pela PUC-SP, Mestre em Comunicação e Linguagens (UTP), Especialista em Propaganda e Marketing (ISPG/SPEI) e Graduado em Comunicação Social – Publicidade e Propaganda (PUCPR). Possui 22 anos de experiência no mercado profissional de comunicação, em agências, anunciantes, veículos e fornecedores. Há dez anos atua também no ambiente acadêmico, como Professor e Coordenador de cursos de graduação e pós-graduação na área de Comunicação Social.

Intercom 2010

De 2 e 6 de setembro ocorrerá o XXXIII Congresso Brasileiro de Ciência da Comunicação na Universidade de Caxias do Sul (UCS). O objetivo central é reunir, incentivar, divulgar, estimular e promover o pluralismo de ideias, direcionando o foco não apenas para o momento presente, mas também para o futuro. Será composto por sócios  e não sócios da sociedade, entre os quais os pesquisadores, professores, estudantes de graduação e de pós-graduação, profissionais e especialistas da área de comunicação social, além de interessados as áreas distintas de conhecimento profissional.

Na edição deste ano, tive o artigo “Curtas-metragens para anunciar e entreter”, que analisa o case do Schweppes Short Film Festival, selecionado para apresentação na sessão “Estratégias publicitárias e subjetividade contemporânea”, do Grupo de Pesquisa em Publicidade e Propaganda.

Também durante o Congresso, no Publicom, lançarei meu segundo livro, intitulado “Publicidade híbrida” (Maxi Editora, 2010).

Sobre “A Origem”

Não pude evitar de traçar ao menos um breve comentário sobre o segundo melhor filme que assisti este ano – logo atrás de O segredo de seus olhos – : A Origem, de Christopher Nolan. O longa-metragem, que flerta com a linguagem de um game, intertextualiza outros filmes do gênero ficção-científica, como Blade Runner (Ridley Scott), eXistenZ ( David Cronenberg), 2001, uma odisseia no espaço (Stanley Kubrick), Matrix (Irmãos Wachowski), entre outros. Vale o preço do ingresso, seja ele qual for, pois a cada dia rareiam mais os filmes que nos instigam a pensar e trazem algum componente novo à cinematografia.

Na sequência final de A Origem, como resistir a filosofar um pouco:

“Um homem sonha que é uma borboleta.
Revoluteia com leveza de flor em flor,
Abrindo e fechando as suas asas,
Sem a mais tênue lembrança da sua natureza humana.
Quando acorda, percebe com espanto que é um homem.
Mas será ele um homem que acaba de sonhar que era uma borboleta?
Ou uma borboleta a sonhar que é um homem?”
Tchuang-tsé

Na UFPE

Nesta semana, começo minhas atividades docentes na UFPE – Universidade Federal de Pernambuco, em Recife, integrando o quadro de professores de Comunicação Social. A seguir uma breve apresentação da Universidade.

A UFPE oferece mais de 80 cursos de graduação (sendo a grande parte no campus da cidade do Recife, nove no campus da cidade de Caruaru e quatro no campus da cidade de Vitória de Santo Antão) e 198 cursos de pós-graduação (além de diversos cursos de especializações), com cerca de 34.000 alunos e 2.100 professores (grande parte destes com cursos de mestrado e doutorado).
Os primeiros cursos de Pós-Graduação da UFPE foram criados em
1967. Desde então, houve uma evolução quantitativa e qualitativamente. Dos quatro mestrados iniciais (Matemática, Bioquímica, Economia e Sociologia), a Universidade passou a ter 58 mestrados (acadêmico e profissionalizante), 38 doutorados e 65 cursos de especialização, nas áreas de Ciências Humanas, Letras e Artes; deTecnologia, Ciências Exatas e da Natureza e de Ciências Biológicas e Ciências da Saúde.

Compós 2010, na PUC-Rio

Esta semana, entre 8 e 11 de junho, estive no Rio de Janeiro, participando da Compós 2010 – XIX Encontro Anual da Associação Nacional dos Programas de Pós-Graduação em Comunicação. A edição deste ano foi realizada na PUC-Rio.

A Compós 2010 reuniu 330 pesquisadores, em sua maioria, vinculados aos programas de pós-graduação na área de Comunicação. Atualmente, são 37 programas filiados à Associação.

Mais uma vez, estive presente às sessões de apresentação de trabalhos do GT de Mídia e Entretenimento, coordenado pela Professora Ângela Prysthon, da UFPE. Outros importantes pesquisadores desta área específica de pesquisa participaram das discussões, como os professores Jeder Janotti Jr. (UFBA), Elizabeth Bastos Duarte (UFSM), Felipe Trotta (UFPE), Everardo Rocha (PUC-Rio) e Denize Araujo (UTP), entre outros.

Para ler os interessantes artigos apresentados e debatidos no Encontro, acesse aqui a biblioteca digital da Compós.

Eventos como este são sempre importantes para nos atualizarmos acerca das pesquisas em curso em nossa área de interesse, bem como para rever amigos e colegas docentes e conhecer novos pesquisadores.

El secreto de sus ojos

El secreto de sus ojos

El secreto de sus ojos

Finalmente estreou em Curitiba o filme argentino El secreto de sus ojos, ganhador do Oscar 2010 de Melhor Filme Estrangeiro – merecidamente, digo já de início. O mais recente filme do talentoso cineasta Juan José Campanella é excelente. Há tempos não assistia a um filme tão bem realizado, homogêneo em suas qualidades e que, praticamente em todos os aspectos técnicos de produção, é digno de elogios.

O longa-metragem é baseado no livro La pregunta de sus ojos, de Eduardo Sacheri, que elaborou o “guión” do filme junto com o próprio Campanella. Impressionou-me a amarração do roteiro e a fluidez dos diálogos, muito bem interpretados pelo elenco, no qual destaco a trinca Ricardo Darín, Soledad Villamil e Guillermo Francella – todos em ótimos desempenhos.

Francella, encarnando Pablo Sandoval, é protagonista de alguns dos melhores momentos do filme, seja por suas tiradas espirituosas ou por suas falas carregadas de indiscutíveis verdades, como esta: “el tipo pude cambiar de todo: de cara, de casa, de familia, de novia, de religión, de Dios…, pero hay una cosa que no pude cambiar; no puede cambiar de pasión”.

E não posso, igualmente, deixar de comentar a utilização de efeitos visuais que surpreendem até mesmo aos olhos treinados de cinéfilos de carteirinha e demonstram, mais uma vez, a qualidade das produções argentinas recentes. Temos o que aprender com los hermanos, cinematograficamente falando.

Mesmo antes de assistir à película, o amigo Glauber Gorski já havia compartilhado comigo o plano sequência sobre o estádio do Huracán, que causa inveja a qualquer produção hollywoodiana, e que abaixo reproduzo. E, num segundo vídeo postado, o making of da sequência, para aprendermos como se emprega adequadamente a tecnologia em prol da verossimilhança, contribuindo para factibilidade da narrativa.

Não deixe de assistir!

O plano sequência: (retirado do post por solicitação da Sony Pictures, detentora dos direitos autorais do filme).

O making of do plano sequência:

Sobre os filmes de Herzog, Marshall e Jackson

Neste post “3×1” comento rapidamente sobre três filmes a que assisti recentemente.

Nicolas Cage, em Vício Frenético

Nicolas Cage, em Vício Frenético

Vício Frenético, de Werner Herzog (Bad Lieutenant: Port of Call New Orleans – EUA, 2009), com Nicolas Cage e Eva Mendes.

Já não é novidade para ninguém que Nicolas Cage tem aceitado filmar qualquer roteiro que lhe é oferecido, diante da crise financeira por que passa o astro. Fiquei com a sensação de estar entrando numa fria ao me aventurar a assistir à sessão de Vício Frenético, no Cinemark do Shopping Flamboyant – em Goiânia, onde estive essa semana. O título do longa-metragem, convenhamos, dá margem a preconceitos prévios, parecendo se tratar de mais um caça-níquel hollywodiano. Bem, não que estejamos diante de uma obra redentora para Cage, mas, tratando-se de um filme de Werner Herzog, tem lá suas qualidades. O “mau tenente”, citado no título original, fez-me lembrar o personagem de Cage no cult Despedida em Las Vegas (de Mike Figgis, 1995), também auto-destrutivo. Mas, independente dos métodos questionáveis que o policial – corrupto e viciado – empreende em sua violenta rotina de investigações, acaba conseguindo lograr êxito em sua caçada e, de quebra, ser promovido. O “vício frenético”, a que remete o título em português, responde bem às necessidades de subsistência do personagem de Cage, sempre envolto às alucinações que as drogas lhe causam, em imagens surreais propostas por Herzog.

Mais em: http://www.badlt.com/

Idas e Vindas do Amor, de Gary Marshall

Idas e Vindas do Amor, de Gary Marshall

Idas e Vindas do Amor, de Gary Marshall (Valentine´s Day – EUA, 2010), com Ashton Kutcher, Jessica Alba, Kathy Bates, Julia Roberts, Anne Hathaway, Jamie Foxx , Hector Elizondo, Jennifer Garner etc.

Marshall, que dirigiu Uma Linda Mulher (1990), é especializado em comédias românticas, o que é sabido de todos. Desta feita, o prestigio do veterano diretor reuniu um elenco estrelado, com atores de diferentes gerações, muitos dos quais com quem ele já havia trabalhado, como Julia Roberts, Hector Elizondo e Anne Hathaway. Porém, o invejável elenco não sustenta a narrativa, excessivamente fragmentada. Toda a história do filme se passa em único dia – o Valentine´s Day –, e acontecem “idas e vindas” em demasia nas vidas dos personagens para tornar o roteiro factível. Pequenas porções do filme vão agradar, sem dúvida. Mas, no todo, o filme de Marshall tenta fazer um apanhado de sua obra fílmica, reunindo em um mesmo longa a aura de outras de suas realizações, que funcionaram muito melhor. A sensação que a mim restou, ao final da projeção, é a de desperdício de um bom argumento e, sobretudo, de um elenco que foi mal aproveitado.

Mais em: http://wwws.br.warnerbros.com/valentinesday/main/#/home

Saoirse Ronan, em Um Olhar do Paraíso

Saoirse Ronan, em Um Olhar do Paraíso

Um Olhar do Paraíso, de Peter Jackson (The Lovely Bones – NZ/RU/EUA, 2009), com Saoirse Ronan, Mark Wahlberg, Rachel Weisz, Stanley Tucci, Susan Sarandon.

O mais recente filme de Peter Jackson, realizador da trilogia O Senhor dos Anéis, é um drama comovente, que a mim agradou. Houve quem criticasse Um Olhar do Paraíso pelo uso excessivo de efeitos visuais, mas sem os quais, acredito, não haveria como transpor o espectador ao universo onírico que o roteiro prevê. O longa-metragem é narrado pela protagonista, Susie Salmon (Saoirse Ronan), adolescente assassinada por um psicopata, e que após sua morte, fica presa em um meio caminho entre a terra e o céu; entre a vida terrena e a existência perpétua no paraíso. Susie acompanha o drama de sua família após sua morte e busca alertar sobre o seu assassino, que planeja novos crimes. O psicopata George Harvey, interpretado pelo sempre competente Stanley Tucci, encarna o mau como poucos o fizeram nos últimos anos no cinema. Baseado no livro de Alice Sebold.

Mais em: http://www.lovelybones.com/#home

Educação, o filme

Dia desses, em São Paulo, e meramente para fazer hora antes do voo de retorno a Curitiba, assisti descompromissadamente ao longa-metragem Educação, da diretora dinamarquesa Lone Scherfig. Agradável deleite. O filme, de produção inglesa, se passa na Inglaterra do início dos anos de 1960. Aborda os conflitos existenciais da jovem Jenny, uma adolescente entre a cruz e a espada: de um lado, o rigor da educação paternal, que cobra dela a formação acadêmica com vistas ao ingresso na Universidade de Oxford, de outro lado, a paixão e os atrativos de uma vida repleta de emoções junto a um bon vivant, bem mais velho que ela. Resumindo assim, o longa parece como tantos outros filmes que tratam dos conflitos comuns a esta fase de transformações e embates, mas Scherfig conduz com sutileza a narrativa, e torna Educação um ótimo filme. Os méritos da obra também se apoiam no bom roteiro, adaptado por Nick Hornby de um artigo autobiográfico da jornalista Lynn Barber, e pelo elenco, encabeçado pela estreante Carey Mulligan, Peter Sarsgaard e pelo sempre competente Alfred Molina. Se vale como parâmetro qualitativo, Educação concorre a três Oscar: filme, atriz (Mulligan) e roteiro adaptado. Ainda não estreou em boa parte do país.

Para entender a Arte

GOELDI, Oswaldo (1895 - 1961) Chuva.

GOELDI, Oswaldo (1895 - 1961) "Chuva"

Para quem tem interesse em conhecer e compreender as expressões artísticas contemporâneas a dica é o curso que o Studio de Artes Visuais Sala10 promove: Para Entender a Arte Moderna e Contemporânea, com a artista plástica e designer Ana Lucia Procopiak – amiga de longa jornada. O curso, modulado em workshops, visa percorrer a história da arte moderna e contemporânea, mobilizando o olhar crítico diante de produções artísticas por meio de visitas a exposições em instituições de arte.

Workshop 1:  Para entender a arte moderna: pelos caminhos do expressionismo

Programa: uma introdução à modernidade; o Expressionismo na Europa e no Brasil; visita à exposição de Osvaldo Goeldi e debate.

Turma 1: 17/03, 24/03 (quarta-feira) e 27/03 (sábado)

Turma 2: 13/03, 20/03 e 27/03 (sábado)

Horário: quarta-feira 19h às 21h30 e sábado 9h30 às 12h

Investimento: R$ 90,00 (desconto para professores)

Local: Rua Saldanha Marinho, 76 – Sala 10 – Centro, Curitiba PR

Informações e inscrições: (41)9964-8935 e caixadepossibilidades@gmail.com

Professora Ana Lúcia Procopiak – artista plástica e designer. Mestre em Comunicação e Linguagens. Especialista em História da Arte. Participou de exposições individuais e coletivas. Atua em cursos de graduação e pós-graduação, nas áreas de artes visuais, design e comunicação.

Um road movie brasileiro

O Sal da Terra, de Eloi Pires Ferreira

O Sal da Terra, de Eloi Pires Ferreira

Assisti recentemente, numa última sessão de exibição em Curitiba, fechada a convidados, ao filme O Sal da Terra, de Eloi Pires Ferreira. O longa-metragem pode ser enquadrado no gênero road movie; avis rara na cinematografia brasileira.

A sessão, reservada a convidados do diretor, foi projetada na Cinemateca da Fundação Cultural de Curitiba, cuja direção é de minha amiga Solange Stecz.

Assisti junto de outro amigo, o diretor Glauber Gorski, realizador de quadros de humor na Revista RPC da Globo paranaense, onde dirige, entre outros, ao humorista Diogo Portugal. Bom assim, pois assistir a um filme com a possibilidade de dialogar sobre aspectos da obra, com quem entende do assunto, é sempre melhor.

Quanto ao filme, vários elogios: roteiro conciso, boas tomadas externas, belas panorâmicas, som de alta qualidade, trilha bem posta, condução de direção segura e boas interpretações. E, claro, com os elementos comuns a um road movie que se preze.

A narrativa do filme faz analogia aos ritos litúrgicos de uma missa católica, e serve como base para apresentar as “andanças” do Padre Miguel pelas estradas brasileiras, levando fé, conforto espiritual e um papo amigo aos viajantes, como ele. Boas caracterização e interpretação do ator Edson Rocha, como o padre caminhoneiro.

O Sal da Terra venceu os prêmios de melhor longa-metragem no II European Spiritual Film Festival e no Margarida de Prata 2009.

Além do diretor Eloi Pires Ferreira destaco o trabalho dos amigos Celso Cava Filho (diretor de fotografia), Josiane Orvatich (produtora executiva) e Alessandra Moretti (continuísta).

Em fevereiro, O Sal da Terra será lançado em DVD. Ainda em 2010, sai o segundo longa de Eloi, Curitiba Zero Grau. Oportunamente postarei sobre isso.

2010, The Year We Make Contact

Bem, como não poderia deixar de ser, meu cartão alusivo ao Ano Novo tem referências cinematográficas. Neste caso, uma citação intertextual ao clássico da ficção-científica 2010, The Year We Make Contact (de Peter Hyams, 1984).